domingo, 23 de outubro de 2011

Religião e Sexo

O homem honesto que diz que deseja que o cristianismo seja meramente prático e não teórico ou teológico, raramente consegue explicar o que ele exatamente quer dizer. Essa é a razão de haver tanta repetição simplesmente verbal no que ele diz. Geralmente, os pobres teóricos e teólogos têm de explicá-lo o que ele quer dizer. De qualquer forma, ele quer dizer algo mais ou menos assim. Um número muito grande de pessoas saudáveis e bondosas é, hoje, oportunista. Todos acreditamos que devemos cortar nosso casaco de acordo com o tecido que temos, no sentido de que ninguém pode fabricar um casaco sem tecido. Mas se o costureiro me diz que todo o tecido em estoque é amarelo-mustarda brilhante, decorado com caveiras escarlates, terei de adiar o quanto puder o uso desse tecido para meu novo casaco, podendo até constranger-me, e ao costureiro, sugerindo-lhe procurar outro tipo de tecido.

Contudo, há um tipo de homem que usará prontamente o casaco amarelo pela simples existência do casaco amarelo. Ele é um oportunista num sentido diferente do meu. Há uma diferença entre um cliente que consegue o que quer, tanto quanto lhe seja possível e aquele que consegue o que não quer porque isso lhe é possível.

Em outras palavras, há uma diferença entre conseguir o que se quer, sob certas condições e permitir que as condições lhe digam o que você pode conseguir, ou mesmo o que você quer. No entanto, é possível passar pela vida sendo controlado pelas circunstâncias dessa forma. Se minha quadra de tênis for inundada, posso, claro, transformá-la num lago ornamental. Ou posso me dar o trabalho de drenar o campo e protegê-lo contra inundações, permanecendo fiel ao ideal abstrato e dogmático de uma quadra de grama. Se uma árvore cai sobre minha casa e faz um buraco no teto, posso transformar o buraco numa clarabóia e a árvore numa saída de emergência. Mas se eu não quiser uma clarabóia e uma saída de emergência, estou sendo manipulado pela árvore. E isso é uma posição indigna para um homem.

É a posição indigna da maioria dos homens modernos. Eles são oportunistas, não só no sentido de conseguirem o que querem da forma mais prática, mas de tentarem querer a coisa mais prática; isto é, meramente a coisa mais fácil. Essa é a razão de eles não entenderem a base do idealismo cristão em muitas questões e especialmente na questão do sexo. Eles estão sempre sendo desviados pelas inundações e árvores caídas, especialmente aquela árvore do conhecimento que é o símbolo da queda e que certamente fez um buraco na casa, no sentido do lar. Mas a questão aqui é que essas pessoas constroem um novo plano ou propósito sexual depois de cada eventual novo acontecimento. Quando há mais mulheres do que homens, eles começam a falar sobre poligamia. Quando há mais crianças do que é conveniente para os indivíduos criarem com um salário decente, eles começam a falar de alguns truques que são um tipo de substituto para o infanticídio.

Ninguém pode entender a teoria do sexo cristã sem entender a idéia do homem ter um plano que ele deseja impor sobre as circunstâncias, ao invés de esperar pelas circunstâncias para então ver que plano ele vai ter. O cristão deseja criar as condições para que o casamento cristão seja possível e digno em si; não aceitar qualquer coisa possível nas mais indignas condições. Porque ele o quer e o que ele realmente é, consideraremos num momento; mas é necessário tornar claro de início que o casamento cristão não é algo que nos é sugerido pelas condições sociais do nosso entorno; é algo que nos é sugerido por Deus, pela nossa consciência comum e pelo sentido de honra da humanidade em geral. E isso é o que nosso pobre amigo quer dizer quando diz que nós não somos práticos; ele quer dizer que nós não estamos sempre consertando nossa casa e alterando nosso jardim para acolher em seu interior uma árvore caída ou uma tromba d’água.

Ele quer dizer que temos um plano para nossa casa e jardim e que estamos sempre tentando restaurá-los e reconstruí-los de acordo com o plano. Não propomos rasgar o plano original e seguir uma seqüência de acidentes; até que a casa seja enterrada sob árvores caídas e os campos sejam inundados e todo o trabalho do homem seja levado pela enxurrada. Isso é o que ele entende por nossa impraticabilidade, e ele está certo.

Descrito em termos humanos, o plano é substancialmente este. Que o amor que faz a juventude bela, e é a fonte natural de tanta canção e romance, tem por objetivo final um ato de criação, a fundação da família. Ao mesmo tempo em que é um ato criativo, como o de um artista, é também um ato coletivo, como o de uma pequena comunidade. É, talvez, o único trabalho artístico em que a colaboração é um sucesso e mesmo uma necessidade. É preciso de dois para começar uma briga, especialmente uma briga de amantes. Precisa-se também de dois para estabelecer um acordo de amantes segundo o qual seu amor deve ser colocado acima da briga. Mas, por definição, o acordo dos dois não é simplesmente concernente aos dois; mas, num sentido terrível, a outros. A fundação de uma família, como todo ato criativo, é uma responsabilidade tremenda. Em outras palavras, a fundação de uma família significa a alimentação de uma família, o treinamento, o ensinamento e a proteção de uma família. É o trabalho de uma vida inteira, e muitos casamentos têm uma vida muito curta. Sua continuidade é garantida, não por “leis matrimoniais” que nossas modernas plutocracias podem criar ao seu bel-prazer, mas por um voto voluntário ou invocação a Deus feita pelas duas partes, que eles vão se ajudar nesse trabalho até a morte. Para aqueles que acreditam em Deus e também acreditam no significado das palavras, isso é final e irrevogável.

Esse ato criativo é em si um ato livre. Esse ato criativo, como todos os atos criativos, não envolve uma perda de liberdade. O homem que constrói uma casa não recupera aquele castelo que ele construiu e reconstruiu no ar quando ele estava planejando a casa. Nesse sentido, podemos dizer, se quisermos, que o homem que constrói uma casa, constrói uma prisão. Há algo de final em todo grande trabalho, mas é possível sentir nesse trabalho um tipo peculiar de finalidade. A paixão de um homem em sua juventude encontrou seu caminho verdadeiro e alcançou seu objetivo e, apesar do amor não precisar acabar, a busca por ele terminou.

Pelo teste desse objetivo e consecução, todas as coisas condenadas pela ética cristã se encaixa em seus vários níveis de erro. Prolongar a busca de uma forma sentimental, muito depois de ela ter qualquer relação com o trabalho real do homem é um erro em vários níveis; quase sempre isso não é mais que ridículo e indigno; turpe senilis amor. Permitir que a busca perambule de forma a destruir outros lares saudavelmente estabelecidos é, por essa definição, obviamente errado. Cultivar uma perversão mental que realmente remova o desejo por um ato frutífero é horrivelmente errado. Comprar um prazer estéril de uma classe estéril é errado. Manobrar cientificamente de forma a furtar o prazer sem assumir a responsabilidade pelo ato, é lógica e inerentemente errado. É como andar por aí com uma medalha sem ter ido à guerra.

Nós acreditamos, sem uma sombra de dúvida e hesitação, que onde as condições se aproximam desse ideal, a humanidade é mais feliz. Assim, o nascimento da paixão é usado com um menor grau de destruição. Assim, a morte da Paixão é aceita com um menor grau de desilusão. Um trabalho construtivo da idade adulta segue naturalmente o trabalho criativo da juventude; à paixão é dada uma extraordinária oportunidade de se perpetuar como afeição, e a vida do homem é tornada plena. Há nela tragédias, como há igualmente tragédias fora dela. Não podemos livrar a vida de tragédias sem livrá-la da liberdade. Não podemos controlar a atitude emocional dos outros nem numa condição de anarquia sexual, nem nas condições de lealdade doméstica. O amor é realmente excessivamente livre para os propósitos dos amantes livres. Mas onde os homens são treinados pela tradição a considerar esse processo normal, e a não esperar por nada diferente, há muito menos probabilidade de trágicos relacionamentos do que no amor chamado livre. Se observamos a literatura real do amor irresponsável, encontraremos um contínuo e dolorido lamento sobre falsas amantes e torturantes casos amorosos.

Em resumo, nós não acreditamos, de forma alguma, na grande felicidade prometida à humanidade pela dissolução de lealdades de uma vida toda; não sentimos o menor respeito pela retórica sentimental e grosseira com que isso nos é recomendado. Mas o resultado prático de nossa convicção e de nossa confiança é este: que quando as pessoas nos dizem – “Seu sistema não é muito inadequado para o mundo moderno,” respondemos – “Se isso é verdade, as coisas parecem bem podres no pobre e antigo mundo moderno.” Quando eles dizem – “Seu ideal de casamento pode ser um ideal, mas não pode ser uma realidade, ” dizemos – “é um ideal numa sociedade doente, é uma realidade numa sociedade saudável. Pois, onde ele é real, ele faz a sociedade saudável.” Não dizemos perfeitamente saudável, pois acreditamos em outras coisas além do casamento; como, por exemplo, na Queda do Homem. Mas a questão é que queremos o que é prático, no sentido de que queremos fazer algo, criar famílias cristãs. Mas eles só querem o que é prático, no sentido do que é mais fácil no momento.

Assim, de acordo com a teoria geral do casamento, a paixão é purificada por sua própria frutificação, quando esta frutificação é o seu dignificante e decente objetivo final. Em poucas palavras, podemos dizer que substituiríamos a meia-verdade do “amor pelo amor”, por uma verdade superior do “amor pela vida”. O amor é sujeito à leis porque é sujeito à vida. É verdade, não só metafisicamente, nem mesmo simplesmente num sentido místico, mas num sentido material, que podemos ter vida e que a podemos ter mais abundantemente. Isso não quer dizer, claro, que o amor não tenha seu próprio valor espiritual, quando honoráveis acidentes o impedem de ser frutífero. Mas isso não significa que, em geral, possamos julgar os amores dos homens por outra metáfora mística que é também um fato material e por seus frutos os conheceremos.

Tal princípio é, ou era até recentemente, compartilhado por todos os que se dizem cristãos. Há um apêndice a este princípio que é professado por todos os que se dizem católicos. É uma idéia mais mística; e talvez somente os católicos se esforçaram em defini-lo racional e filosoficamente. Não é verdade, contudo, que somente católicos já o sentiram. Os antigos pagãos já o sentiram sutilmente em suas visões de Atenas, Ártemis e das Virgens Vestais. Os agnósticos modernos o sentem debilmente em sua adoração pela inocência infantil – em Peter Pan ou no Child’s Garden of Verses. Essa idéia é a de que há, para alguns, uma felicidade ainda mais divina que a do divino sacramento do matrimônio. Este é um assunto muito especial e muito grande para ser tratado aqui; mas dois fatos deveras singulares devem, sobre ele, ser notados. Primeiramente, que os estados industriais modernos estão invocando o pesadelo da super-população, depois de terem, eles próprios destruído as irmandades monásticas que foram uma limitação voluntária e viril a esse pesadelo. Em outras palavras, eles estão, muito relutantemente, recorrendo ao controle de natalidade, depois de realmente suprimirem a prova de que os homens são capazes de auto-controle. Em segundo lugar, se tal abstenção fosse realmente exigida, essa tradição religiosa poderia dar a ela um entusiasmo positivo e poético, onde todas as outras fariam dela apenas uma mutilação negativa. Os católicos acreditam na razão e gostam de ver as coisas práticas provadas; e, atualmente, a necessidade não está provada; somente mencionada como se tivesse, como se comentassem a respeito de Darwin e Einstein. Mas, mesmo se ela estivesse provada, os católicos teriam uma resposta muito melhor do que a dos outros: as trombetas de São Francisco e São Domingos. E os bons protestantes irão finalmente concordar que a resposta é melhor do que a alternativa de um tipo de anarquia secreta e silenciosa, na qual os motivos são estreitos e os resultados nulos. E por este caminho, voltamos ao tema original do casamento ideal; e à verdade principal sobre ele. Uma coisa tão humana não irá, finalmente, desaparecer por entre acidentes de uma sociedade anormal. Essa sociedade nunca será capaz de julgar o casamento. O casamento julgará essa sociedade; e pode possivelmente condená-la.



sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Salvação: Segurança ou Esperança?

"para que a justificação obtida por sua graça nos torne, em esperança, herdeiros da vida eterna" (Tt 3,7)

Certo dia caminhando para o confessionário encontrei um panfleto protestante. A mensagem dizia que podemos ter certeza da nossa salvação pela crença em Jesus Cristo. Para parafrasear o folheto, afirma que podemos ter certeza de nossa ida ao paraíso, porque Deus nos ama (Jo 3,16). Mesmo que tenhamos pecado e estejamos destituídos da glória de Deus (Rm 3,23), Jesus morreu por nossos pecados (Rm 5,8). Pelo arrependimento dos pecados e pela aceitação de Cristo em nosso coração estaremos livres do inferno (At 3,19; Ap 3,20). O folheto professa verdades cristãs, mas falha sobre a plenitude da fé cristã. Alguns pontos importantes devem ser observados.

Comecemos com Jo 3,16

Com efeito, de tal modo Deus amou o mundo, que lhe deu seu Filho único, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna

Esta é uma bonita e concisa afirmação da verdade evangélica. Deus nos amou de tal forma que nos mandou Seu único Filho, Jesus, para morrer numa cruz pelas mãos de homens pecadores para nos salvar da condenação do inferno (Rm 5,6-11). Nossa salvação é um dom gratuito conseguido pelos méritos de Cristo. Nós não merecemos a salvação para que não nos gloriemos (Ef 2,8). Somos salvos por Cristo por crer em Cristo.

Mas o que significa "crer"?

Jo 3,16 não expressa a plenitude da doutrina da salvação. Devemos compreender o contexto. Vinte versículos após também está escrito:
Aquele que crê (pisteuon) no Filho tem a vida eterna; quem não crê (apeithon) no Filho não verá a vida, mas sobre ele pesa a ira de Deus

As bíblias RSV, NAB e NASB traduzem o verbo grego apeithon como "obedecer". Este verbo relaciona a "crença em Cristo" com a "obediência a Cristo". Em outro momento São Paulo relaciona a fé com a obediência como uma "obediência da fé" (Rm 1,5) e com as boas obras pela "fé que opera pela caridade" (Gl 5,6). Também está escrito "Pela fé Abraão obedeceu... " (Hb 11,8). De acordo com a linguagem bíblica, "acreditar" também significa "obedecer". Não podemos sinceramente crer em Cristo se desobedecemos os mandamentos de Deus, isto é, se cometemos pecado (Tg 2,18-26). O pecado é uma quebra da fé (Nm 5,6-7).
Como resultado do pecado de Abraão (Rm 5,12) e através de nossos pecados graves, nós rejeitamos a Deus e servimos ao inferno. Perdemos a vida eterna. Notemos que o inferno não é uma punição de um Deus vingativo, mas uma conseqüência de nossa rejeição a Deus ? fonte de toda bondade e toda vida. Nossos pecados ofendem o amor de Deus. Não há nada que possamos fazer como criaturas finitas que possa reparar uma ofensa infinita. Felizmente, pela misericórdia de Deus, Jesus nos redimiu do inferno pela sua paixão e sacrifício na cruz. Como dom gratuito (Tt 3,5), Deus perdoa os nossos pecados e nos oferece a graça de poder estar em Sua companhia eternamente, inicialmente pelo sacramento do batismo (Mc 16,16; 1 Pd 3,21; At 2,38). Pela purificação do batismo recebemos a graça santificante que nos torna justos diante de Deus (At 22,16; 1 Cor 6,9-11).

Agora estamos redimidos por Cristo no batismo, mas podemos escolher livremente rejeitar este dom pelos nossos pecados graves, como escreve São Paulo em Rm 6,23:

Porque o salário do pecado é a morte, enquanto o dom de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor

Neste versículo, a vida eterna é o paraíso, e a morte é o inferno. O paraíso é um dom de Deus, mas nós podemos merecer o inferno por comenter pecados mortais. A observância da lei não nos salva, mas nos mostra os pecados que podem nos condenar (Rm 3,20). Por exemplo, minha liberdade é um dom de meus antepassados, mas seu eu cometer alguma ilegalidade, irei para a cadeia. Da mesma forma a bíblia:

Porque sabei-o bem: nenhum dissoluto, ou impuro, ou avarento - verdadeiros idólatras! - terá herança no Reino de Cristo e de Deus. E ninguém vos seduza com vãos discursos. Estes são os pecados que atraem a ira de Deus sobre os rebeldes (Ef 5,5-6)

Outra sensata afirmação de São Paulo:

Depois de termos recebido e conhecido a verdade, se a abandonarmos voluntariamente, já não haverá sacrifício para expiar este pecado. Só teremos que esperar um juízo tremendo e o fogo ardente que há de devorar os rebeldes (Hb 10,26-27)

Se notarmos bem Paulo, fiel seguidor e apóstolo de Cristo, usa o plural nas palavras, ou seja, está se incluindo nesta afirmação. Após o batismo, se pecarmos deliberadamente e sem arrependimento, poderemos vir a perder o dom da salvação. No batismo recebemos a graça santificante em nossas almas sem mérito próprio algum, mas após disso devemos cooperar com esta graça, ou iremos perdê-la (2 Cor 6,1). Esta cooperação com a graça redentora de Deus é o que entende a Igreja Católica por mérito (CCE 162; 2025).

Felizmente Deus nos concedeu o sacramento da Confissão (penitência ou reconciliação) para que possamos receber o perdão dos pecados cometidos após o batismo. Se pecarmos após termos sido batizados (Jo 1,8-9), devemos permanentemente nos constringir, confessar nossos pecados e voltar nossos corações (de volta) a Cristo. O arrependimento não deve ser um momento único em nossa vida, mas deve ser um processo contínuo em nós. Ontem nós podemos ter nos arrependido termos sido perdoados, mas amanhã, pela fraqueza da natureza humana, podemos novamente cair em pecado (2 Pd 2,20-22). Estamos, então, seguros que Cristo nos perdoará assim perdoamos os outros (Lc 6,36-37; Mt 6,14-15). Por este sacramento recebemos a graça santificante e a graça que nos ajudará a resistir às tentações futuras.

Jesus reconhe nossa fraqueza mesmo após o batismo. E foi por esta razão que Ele deu aos apóstolos a autoridade para perdoar os pecados:

Depois dessas palavras, soprou sobre eles dizendo-lhes: Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos (Jo 20,22-23)

Através dos séculos este sacramento foi transmitido pelos bispos como o Sacramento da Confissão . Os cristãos dos tempos de hoje necessitam do perdão dos pecados ainda mais do que precisavam os dos primeiros séculos. Naturalmente, para confessar os pecados devemos contar a alguém publica ou auricularmente, pois os sacerdotes precisam conhecer os pecados de devem perdoar (At 19,18; Lv 5,5-6).

Mesmo que nossa salvação ainda não esteja assegurada, ainda podemos ter a esperança de consegui-la. Na bíblia São Paulo usa a frase "esperança da salvação" (1 Tes 5,8) ou "esperança da vida eterna " (Tt 1,2; 3,7). Se temos a segurança da nossa salvação, então não há necessidade nenhuma de esperança. Esperança não é o mesmo de segurança (Rm 8,24). De acordo com o Catecismo da Igreja Católica:

A esperança é o aguardar confiante da bênção divina e da visão beatífica de Deus; é também o temor de ofender o amor de Deus e de provocar o castigo (CCE 2090)

Os dois pecados contra a esperança são o desespero e a soberba (CCE 2091). O pecado da desesperança provoca a perda da esperança na salvação, não confiando em Deus. O pecado da soberba provoca a perda da esperança ou por sustentar por nós mesmo uma situação de certeza sobre a nossa salvação ao invés de Deus ou por receber sem temor a Sua misericórdia.

A esperança é um delicado equilíbrio entre confiança na promessa e no temor de Deus (Pv 1,7).

Deus quer que todos sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade (1 Tm 2,4). Através da Igreja de Cristo - a Igreja Católica - podemos chegar ao conhecimento da verdade (1 Tm 3,15; Mt 16,18-19). Através dos sacramentos recebemos a graça salvífica como um dom gratuito. Mas conseqüentemente devemos cooperar com esta graça, pois possuímos o livre-arbítrio para rejeitar Deus através da desobediência, isto é, pelo pecado que conduz à morte. Após receber a graça santificante de Deus pelo batismo, devemos continuar "trabalhar na vossa salvação com temor e tremor " (Fl 2,12). Através da Confissão, podemos pedir continuamente a misericórdia de Deus e por mais graças para que possamos resistir às futuras tentações. Como pecadores, não estamos seguros da nossa salvação. Mas os cristãos, que fielmente usarem dos sacramentos "canais da graça de Deus " sem desistir, podem certamente ter a esperança da salvação.



sexta-feira, 12 de agosto de 2011

A Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo

“...vemos esta tendência manifestar as suas últimas consequências dramáticas, chegando quase a negar, nos fiéis que se dizem cristãos, o valor histórico dos testemunhos inspirados ou, mais recentemente de maneira puramente mítica, espiritual ou moral, a Ressurreição física de Jesus.”(Papa Paulo VI, Discurso no Simpósio Internacional sobre a Ressurreição de Jesus)

A Ressurreição de Jesus é o ponto central da nossa fé. Tendo em vista essa afirmação, o presente artigo quer apresentar – diante de tantos pensamentos sobre o tema em descrédito com a verdadeira fé – reflexões que correspondam diretamente à fé cristã e católica tendo como embasamento o tripé: as Sagradas Escrituras, a Sagrada Tradição e o Sagrado Magistério.

Religião nenhuma prega a ressurreição de seu fundador, com exceção do Cristianismo. Sendo a ressurreição um estupendo milagre de Deus, a crítica moderna põe em cheque a realidade da ressurreição de Cristo, tratando como mito ou uma fantasia e mesmo uma alucinação dos cristãos.

1 – UM POUCO DE HISTÓRIA

O racionalista Hermann Samuel Reimarus (1694-1768) no século XVIII retomou o que os judeus no princípio afirmavam, que o corpo de Jesus fora roubado pelos discípulos para que pudessem afirmar com provas visíveis a ressurreição (cf em Mt 28,11-15). A teoria de Reimarus foi rejeitada pelos racionalistas, considerada pequena e infundada, pois se fosse mentira dos discípulos em breve seria descoberta a fraude e a fé na ressurreição chegaria ao final.

Temos também depois o Karl Friedrick (1741-1792) e Eberhadt Gottlob Paulus (1761-1851) que defendiam a teoria de que Jesus não morreu na cruz e teria sido sepultado vivo. O estudioso alemão Holger Kersten aderiu esta teoria exposta acima e incrementou dizendo mais: que Jesus deixou o sepulcro e foi para a Índia onde ficou até os últimos dias de sua vida. Essas teorias são fictícias, pois são contrárias à arqueologia que aponta o sepulcro de Jesus em Jerusalém. Dá para perceber claramente que as Sagradas Escrituras dizem corretamente que um abismo atrai outro abismo. Muitos teólogos não percebem o mal que fazem com suas teorias avançadas.

No começo do século XX a chamada Escola ou (Método) da História das Formas passaram algumas idéias no decorrer da história através de estudiosos que aderiram tal escola, entre eles Rudolf Bultmann que acreditava ser a mensagem de Jesus que ressuscitara e não Ele próprio, ou seja, o milagre não seria a ressurreição de Jesus, mas a fé que os discípulos tinham.

A Santa Igreja venceu todas estas correntes, teorias, concepções, heresias... mas eis que ainda na modernidade surgem coisas surpreendentes. A Igreja nunca está tranqüila.

2 – AS MESMAS HERESIAS VOLTAM COM “NOVO ROSTO”

Na atualidade, o teólogo Andrés Torres Queiruga*, sacerdote, doutor em teologia e filosofia da religião na Universidade de Santiago de Compostela na Espanha traz uma reinterpretação da Ressurreição de Cristo. Ele pretende reformular o anúncio da ressurreição numa linguagem moderna para escandalizar menos a sociedade. É plausível a intenção de Queiruga em apresentar a fé de maneira acessível a todos, crentes e não crentes, mas da maneira como tem feito com a questão da Ressurreição de Jesus fere a fé cristã e católica profundamente, pois contraria a interpretação que a Igreja, sempre iluminada pelo Espírito Santo fez em torno da Ressurreição e das aparições do Senhor ressuscitado e conseqüentemente a Sagrada Tradição perpassada desde os primeiros cristãos. Nada na Igreja foi inventado. Tudo passa por um processo, uma investigação histórica.

Eis a tese de Andrés Torres Queiruga, (extraída do livro Repensar a Ressurreição Ed. Paulinas, São Paulo, 1994) resumidamente em forma de tópicos para facilitar a compreensão:

1 - Necessidade de reformular a fé na Ressurreição de Cristo em linguagem puramente moderna, pois cada época há uma nova exigência para a reinterpretação.

2 - A Ressurreição de Jesus não se deu na história, ou seja, no tempo, mas sim em Deus (na eternidade).

3 - Os relatos do Novo Testamento sobre a Ressurreição, o sepulcro vazio e as aparições do Ressuscitado não são históricas, mas sim fictícias.

4 – Acentua um monismo antropológico baseado na questão de que não há distinção entre corpo e alma.

Assim, faremos brevemente alguns apontamentos para nos ajudar a entender porque tal ponto de vista é contrário à nossa fé cristã e católica.

3 – ANALISANDO E REPENSANDO A TESE

Pelo primeiro tópico percebemos que na visão de Queiruga sempre haverá mudanças e que sua tese daqui a alguns anos também terá que mudar, passando por reformulações. (Daí entender os títulos de suas obras: Repensar a Criação, Repensar a Revelação e Repensar a Ressurreição). Momento então de repensarmos a sua teoria sobre a Ressurreição. Claro, não sabemos qual será a nova reformulação. Portanto, partindo desse ponto de vista não há mais verdade absoluta no campo da fé, já que é necessário de tempo em tempo reformular, reinterpretar, deixando de lado anos e anos de história, tradição e hermenêutica que a Igreja fez.

No segundo tópico podemos dizer que Queiruga tem um forte preconceito aos dogmas da fé e a modernidade, pois não pode ser REAL o que se escapa às categorias da razão humana. Veja bem: a ressurreição dos mortos é algo que não compete à filosofia, à razão, - embora a filosofia ajude a compreender a fé – mas sim à teologia, à fé. E só por isso seria colocada como algo impossível, ou seja, um mito? A verdade é mais ampla do que a razão. Existem coisas que podem existir de fato, mas que a razão não explica. E não é por isso que tais coisas deixarão de existir. A Ressurreição de Jesus não é como dizer que uma bola é quadrada, que de fato seria ilógico e irracional. A Ressurreição de Jesus é real. E o REAL é aquilo que existe de fato mesmo quando não penso naquilo. Portanto não há necessidade de pensar em alguma coisa para aquilo existir. Isto é um princípio filosófico.

Para a Ressurreição de Jesus existir não precisa da minha fé. Quero dizer que, mesmo que não creiamos, ela é um fato real.

No terceiro tópico citamos a Constituição Dogmática Dei Verbum, (DV 19) explicitando a doutrina oficial que diz que a Igreja sempre sustentou que os quatro evangelhos transmitem fielmente aquilo que Jesus realmente fez e disse. E também sustenta até hoje isto com firmeza. A Igreja afirma a historicidade dos quatro evangelhos e afirma com toda a convicção. Os apóstolos transmitiram aquilo que Jesus fez e disse. E no entender e transmitir eles foram iluminados pelo Espírito da verdade. Os quatro evangelistas escreveram sobre Jesus coisas verdadeiras. E escreveram tendo a intenção de que aceitemos como verdade aquelas suas palavras que eles e testemunhas oculares nos transmitiram.

Tudo o que os Evangelhos trazem realmente aconteceu e não são meras ficções e alienação dos apóstolos e evangelistas. A Igreja tem razões para crer e ensinar a todo povo de Deus a doutrina correta, pois esta é a sua missão de Mãe e Mestra da verdade.

O teólogo espanhol quer fazer uma reviravolta no dogma da Ressurreição de Jesus. Dá a entender que o transcendente, ou seja, o divino não pode ter acontecido da forma como foi. O pano de fundo é: o milagre (a intervenção miraculosa de Deus) não pode se dar na história. Daí afirmar que os milagres de Jesus são simbólicos, pois Deus não utiliza de coisas estupendas, não usa de sinais visíveis.

No quarto e último tópico, percebemos que Queiruga não aprova a separação corpo e alma como se a escatologia cristã pregasse o dualismo. Na verdade a escatalogia ensina a dualidade, ou seja, a complementação harmoniosa das duas e não dualismo que nada mais é do que afirmar que a matéria é má e o espírito bom. Resumindo: dualismo (negativo) e dualidade (positivo). Para sair do dualismo não se faz necessário cair no monismo como faz Queiruga. Portanto a dualidade é considerada o meio termo. A pessoa humana é um composto de corpo e alma. Pela escatologia do Magistério, a matéria é tão bela, que é por isso mesmo que ela irá ressuscitar também, unindo à alma, claro, num corpo glorioso como ensina São Paulo.

Por que não existir sinais sensíveis e visíveis aos dogmas da fé? A fé cristã sempre foi escândalo para o mundo e não é de hoje. Nosso Senhor Jesus Cristo sempre foi sinal de contradição. E a Igreja continuará sendo esse sinal de contradição por ser fiel ao mandamento do Senhor de ensinar somente a verdade, pois ela é a única que liberta. Se cada vez que notarmos que o mundo evoluiu e tivermos que adaptar as questões de fé para a modernidade estaremos perdidos.

Para pensarmos: quando o Apóstolo Paulo quis na sua época, em Atenas, realizar uma pregação, ele foi muito bem acolhido, ouvido, aplaudido por que não, até que chegou à temática da ressurreição. E aí, os ouvintes dispersaram e se foram. A Ressurreição de Jesus sempre escandalizou e nem por isso a Igreja a distorceu como fez e faz tantos pensadores do passado até hoje.

Desde os primórdios da Igreja, nunca se deu brecha para mitos e historinhas fictícias. Mesmo entre os judeus convertidos ao cristianismo eram contra os mitos pagãos.

Um dos principais textos do Novo Testamento que fundamenta a Ressurreição é o de São Paulo em 1Cor 15, 3-8. São Paulo escreveu tal passagem no ano 56, pouco mais de vinte anos após a Ascensão de Jesus segundo Dom Estêvão Betencourtt. As frases de Paulo nesta perícope são curtas e incisivas. As expressões “conforme as escrituras e apareceu” destacam entre as demais.

Percebemos de forma muito clara a verdadeira profissão de fé na ressurreição física de Jesus como realidade histórica. E para melhor comprovar diz o Apóstolo que havia testemunhas oculares das quais muitas ainda viviam vinte poucos anos após a Ressurreição de Jesus.

“Seriam incompreensíveis o êxito e a força da pregação dos Apóstolos se depois de haverem feito a dolorosa experiência da Paixão do Mestre, não o tivessem visto realmente ressuscitado.” (Bettencourtt, Estêvão. A Ressureição de Jesus. PP. 13 e 14). Sem o encontro com o Cristo vencedor, também não se explicaria a Cristologia pascal (a doutrina do Cristo morto e vivo novamente) da Igreja antiga.

Os Apóstolos eram homens rudes que não teriam a capacidade de inventar a Ressurreição de Jesus. A idéia deles era muito limitada. Sem o encontro vivo com a pessoa física de Jesus não existiria pregação tão incisiva principalmente a da martiria. Comenta Bettencourt que a própria conversão de Paulo de Tarso é de se pensar que sem a realidade da Ressurreição de Jesus seria difícil de perseguidor tornar-se mensageiro da boa nova. Apenas uma experiência mística não seria suficiente para enfrentar e viver o que a Igreja nascente enfrentou e viveu de forma incisiva e com grande convicção a ponto de derramar sangue.

Todos os Apóstolos foram mártires – exceto São João, embora seja considerado – por causa da Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo. Quem é que inventaria uma mentira absurda que prejudicaria e muito a sua vida a ponto de levá-la para o aparente fim?

O pensamento de Queiruga nada mais é do que afirmar que Deus não interveio na história de forma inteira. Ao chegar o ponto alto da nossa fé, que é a Ressurreição, se torna algo distante, longe, irreal... e toda a fé cristã de mais de dois mil anos fica ao léu, e o vento levou, a Igreja inventou e nada disso é assim.

Sem contar que desta forma como Queiruga apresenta a Ressurreição parece querer incutir uma Teodicéia racionalista, como se Deus para ser Deus de fato, isto é, para existir, não pode agir ou se manifestar sensivelmente no tempo e no espaço.

Na maioria das vezes é a visão de mundo que está errada, pois afirma sem hesitação que tudo precisa ser explicado. Portanto nem tudo precisa de ser explicado de acordo com a visão de mundo, como por exemplo a nossa fé, pois quando se reduz tudo a mecanismos históricos que são automáticos, de certa forma se tira aquilo que é belo, forte e surpreendente: a mão de Deus que é Pai e vem nos socorrer.

Não é escandaloso afirmar que a ressurreição de Jesus se deu na história, já que a história da salvação do povo de Deus se deu na história. A revelação de Deus aconteceu na história. Na plenitude dos tempos, Deus – infinito amor – (Gl 4,4) interferiu na história falando conosco, caminhando conosco...por meio do seu único Filho Jesus Cristo.

Parafraseando Pe. Paulo Ricardo, a Ressurreição de Jesus é um irromper da escatologia dentro da história, ou seja, uma antecipação da vida eterna que acontecerá com cada um de nós no fim dos tempos. No entanto é preciso observar que a ressurreição do Senhor foi totalmente singular e em relação a Nossa Senhora também.

Uma observação importante a fazer é que pela leitura dos Evangelhos, notamos que as vezes em que Jesus aparece, suas aparições não são precedidas de ansiedade da parte dos Apóstolos ou discípulos, mas sim são inesperadas, surpreendentes.

Se a Ressurreição de Jesus, da maneira como a Igreja sempre a entendeu, fosse inventada, como dizem alguns teólogos (afirmando que os relatos evangélicos são explicados corretamente pela “nova” exegese) seria uma invenção bem feita e não como esta que conhecemos. Entendendo: Quem inventa uma mentira, a inventa para todo mundo acreditar e não só para alguns. Se assim fosse eles não teriam colocado que Jesus apareceu primeiramente a mulheres, mas sim para homens, pois as mulheres naquela época não eram testemunhas de praticamente nada. Os inimigos de Jesus não negaram o sepulcro vazio, apenas interpretaram de outra forma.

A Tradição sempre viu como referência histórica a questão do túmulo vazio bem fundamentada. O mesmo que morreu na cruz é o mesmo que ressuscitou e possui o mesmo corpo embora de forma diferente (corpo glorioso) como define São Paulo. Jesus ressuscitou como novo Adão, na mesma matéria corpórea.

A Ressurreição de Cristo aconteceu no tempo e no espaço e por este motivo deve ser vista como um fato histórico, embora transcenda à própria história.

Ter fé na Ressurreição de Jesus como fato real, que se deu na história não é assumir uma fé imatura, infantil, como se não soubéssemos nada de teologia, exegese, hermenêutca... ou coisa parecida. Ter fé na Ressurreição é uma questão realmente de fé, fé esta que se baseia na doutrina da Igreja de Cristo que é fiel aos ensinamentos de Cristo e portanto esta fé é razoável, inteligente, madura o suficiente para crer com toda a convicção de que Jesus está realmente vivo. A fé se comprova aos poucos à medida que nós caminhamos. Não fomos enganados pelos ensinamentos da Igreja durante anos. A fé de hoje é a mesma de ontem, ou seja, do passado e será a mesma do futuro.

A partir dos estudos do Pe. Paulo Ricardo analisemos alguns critérios importantes:

As aparições de Jesus nunca são idênticas entre os quatro evangelhos nos pequenos detalhes. Diante deste fator só deve aumentar a credibilidade dos relatos evangélicos, pois é chamado princípio da múltipla testação. Se o evangelistas relatam substancialmente a mesma coisa, porém essas mesmas discordam em pequenos detalhes é sinal de que essas coisas não copiaram um do outro e que portanto, se os evangelistas não copiaram um do outro, nós temos uma múltipla testação, ou seja, temos várias testemunhas dizendo a mesma coisa. Quando se entrevista quatro testemunhas a respeito de algum acontecimento e coincidem na substância dos fatos é porque é verídico.

A Ressurreição é muito mais que um milagre. É um acontecimento milagroso (no sentido de que não há explicação na natureza) e, portanto foge do campo da filosofia, embora, a filosofia também pode contribuir para afirmá-lo.

Encerro com as sábias palavras de Dom Estêvão Bettencourt: “A fé cristã poderá, por vezes, parecer loucura e escândalo, mas será sempre a Sabedoria de Deus portadora de salvação para quantos a aceitam.”

*o autor é Professor de Filosofia e Educação Religiosa. Estudou Teologia e concluiu até o 2º ano. Estudioso de Cristologia e Mariologia.



*Lembramos que o presente artigo não quer em hipótese alguma ofender o referido teólogo espanhol. Mas quer antes de tudo explicitar a doutrina concernente à Ressurreição de Jesus de acordo com os ensinamentos do Magistério Eclesiástico, mostando que Queiruga pensa de maneira diferente (e tem direito de fazê-lo) mas não é o modo de ensinar oficial da Santa Igreja, de modo que ele nunca fale em nome da Igreja - a não ser que envolva a sã doutrina - pois seu pensamento não é compatível com a verdade ensinada pelo Magistério da Igreja.



REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS



BETTENCOURT, Estêvão. A ressurreição de Jesus: ficção ou realidade?. Escola Mater Ecclesiae. Rio de Janeiro.

PERGUNTE E RESPONDEREMOS. Repensar a ressurreição. Número 515,p.193. ano 2005. Edições Lumen Christi.

30 DIAS. A ressurreição física de Jesus. 2008.

www.padrepauloricardo.com.br/parresia

terça-feira, 26 de julho de 2011

A Confissão dos pecados

Todos os nossos pecados – passados, presentes e futuros – são perdoados de uma vez por todas quando nos tornamos cristãos? Não, de acordo com a Bíblia ou com os primeiros Padres da Igreja. A Escritura não afirma em nenhum lugar que os nossos pecados futuros são perdoados. Ao contrário, Ela nos ensina a orar: "E perdoai-nos as nossas dívidas, como nós também temos perdoado aos nossos devedores." (Mt 6:12).

O meio pelo qual Deus perdoa pecados depois do batismo é a confissão: "Se reconhecemos os nossos pecados, (Deus aí está) fiel e justo para nos perdoar os pecados e para nos purificar de toda iniquidade." (1Jo 1:9). Pecados menores ou veniais podem ser confessados diretamente a Deus, mas para pecados graves ou mortais, que esmagam a vida espiritual da alma, Deus instituiu um meio diferente para obter perdão: o sacramento conhecido popularmente como confissão, penitência ou reconciliação.

Este sacramento está enraizado na missão que Deus deu a Cristo como o Filho do Homem na terra para ir e perdoar pecados (cf. Mt 9:6). Assim, a multidão que testemunhou esse novo poder "glorificou a Deus por ter dado tal poder aos homens." (Mt 9:8; observe o plural "homens"). Depois da Sua ressurreição, Jesus transmitiu Sua missão de perdoar pecados aos seus ministros, dizendo-lhes "Como o Pai me enviou, assim também eu vos envio a vós... Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos." (Jo 20:21–23).

Visto que não é possível confessar todas as nossas muitas faltas diárias, sabemos que a reconciliação sacramental é necessária apenas para pecados graves ou mortais – mas é necessária, senão Cristo não teria ordenado isso.

Ao longo do tempo, mudaram as formas que o sacramento foi administrado. Na Igreja primitiva, pecados publicamente conhecidos (como apostasia) foram muitas vezes confessados abertamente na igreja, embora a confissão privada com um sacerdote fosse sempre uma opção para os pecados cometidos particularmente. Ainda assim, a confissão não era apenas algo feito em silêncio a Deus por si só, mas algo feito "na igreja", como o Didaqué (70 d.C.) indica.

As penitências também tendiam a ser executadas antes e não após a absolvição, e elas eram muito mais rigorosas que as de hoje (penitência de dez anos para o aborto, por exemplo, era comum na Igreja primitiva).

Mas o básico do sacramento sempre esteve lá, conforme revelam as citações seguintes. De especial significado é seu reconhecimento de que a confissão e a absolvição devam ser recebidas por um pecador antes de receber a Sagrada Comunhão, porque "todo aquele que... come o pão ou bebe o cálice do Senhor de forma indigna será culpado por profanar o corpo e o sangue do Senhor. "(1Cor 11:27).

A Didaqué

"Confessa teus pecados na igreja e não eleves tua oração com uma consciência má. Este é o modo de vida... No Dia do Senhor reuni-vos juntos, parti o pão e dai graças, depois de confessares tuas transgressões para que teu sacrifício possa ser puro." (Didaqué 4:14, 14:1 [70 d.C.]).

A Carta de Barnabé

"Vós deveis julgar retamente. Vós não deveis fazer um cisma, mas deveis pacificar aqueles que lutam por trazer-vos reunidos. Vós deveis confessar vossos pecados. Vós não deveis ir à oração com uma consciência má. Este é o caminho da luz." (Carta de Barnabé 19 [74 d.C]).

Inácio de Antioquia

"Para que todos quantos são de Deus e de Jesus Cristo estejam também com o bispo. E tantos quantos devam, no exercício de penitência, retornar para a unidade da Igreja, estes, também, devam pertencer a Deus, que eles possam viver de acordo com Jesus Cristo." (Carta aos Filadelfienses 3 [110 d.C.]).

"Porque onde há divisão e ira, Deus não habita. A todos eles que se arrependem, o Senhor concede perdão, se eles apresentam penitência para a unidade de Deus e a comunhão com o bispo." (idem, 8).

Ireneu

"[Os discípulos gnósticos de Marcos] têm iludido muitas mulheres... Suas consciências têm sido marcadas como acontece com um ferro quente. Algumas dessas mulheres fazem uma confissão pública, mas outras ficam envergonhadas de fazer isso, e, em silêncio, como se retirando de si mesmas a esperança de vida de Deus, elas apostatam inteiramente ou hesitam entre os dois cursos." (Contra as Heresias 1:22 [189 d.C.]).

Tertuliano

"[Com relação à confissão, alguns] fogem deste trabalho como sendo uma exposição de si mesmos, ou eles adiam de dia para dia.

Hipólito

"[O bispo conduzindo a ordenação do novo bispo deve orar:] Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo... Derrame agora o poder que vem de Vós, do Vosso Espírito real, que destes ao Vosso amado Filho, Jesus Cristo, e que Ele deu aos seus santos apóstolos... e concedei a este Vosso servo, que Vós escolhestes para o episcopado, [o poder] para alimentar Vosso rebanho sagrado e para servir sem culpa como Vosso sumo sacerdote, ministrando dia e noite para propiciar incessantemente diante de Vosso rosto e para oferecer-Vos os dons da Vossa santa Igreja, e pelo Espírito de sumo sacerdócio ter a autoridade para perdoar pecados de acordo com Vosso mandamento." (Tradição Apostólica 3 [215 d.C.]).

Orígenes

"[Um método final de perdão], embora difícil e trabalhoso, [é] a remissão dos pecados por meio da penitência, quando o pecador... não se retrai de declarar seu pecado a um sacerdote do Senhor e de buscar remédio, após a forma dele que diz: 'Eu disse, "Ao Senhor acusar-me-ei de minha iniquidade"'" (Homilias sobre Levítico 2:4 [248 d.C.]).

Cipriano de Cartago

"O apóstolo [Paulo] da mesma forma dá testemunho e diz: ‘... Portanto, todo aquele que comer o pão ou beber o cálice do Senhor indignamente será culpável do corpo e do sangue do Senhor." (1Cor 11:27]. Mas [o impenitente] repele desdenhosamente e despreza todos esses avisos; antes de que seus pecados sejam expiados, antes de que eles tenham feito uma confissão de seus crimes, antes de que sua consciência tenha sido purgada na cerimônia e às mãos do sacerdote... eles fazem violência ao corpo e sangue [do Senhor], e com suas mãos e boca pecam contra o Senhor mais do que quando O negavam" (Os Decaídos 15:1–3 (251 d.C.]).

"De fé bem maior e temor salutar são aqueles que... confessam seus pecados aos sacerdotes de Deus de uma maneira franca e na tristeza, fazendo uma declaração aberta de consciência... Eu vos suplico, irmãos, que todos que pecaram confessem seus pecados enquanto ainda estão neste mundo, enquanto sua confissão ainda é admissível, enquanto a satisfação e a remissão feita através dos sacerdotes ainda são agradáveis diante do Senhor." (idem., 28).

"[Os] pecadores podem fazer penitência para um tempo determinado, e de acordo com as regras de disciplina vêm à confissão pública, e por imposição da mão do bispo e clero recebe o direito de comunhão. [Mas agora alguns] com seu tempo [de penitência] ainda não cumprido... eles são admitidos à comunhão, e seu nome é apresentado; e enquanto a penitência ainda não é realizada, a confissão ainda não é feita, as mãos do bispo e clero ainda não são postas sobre eles, a Eucaristia é dada a eles; contudo está escrito, 'Por isso, todo aquele que comer do pão ou beber do cálice do Senhor indignamente, será réu do corpo e do sangue do Senhor.' [1Cor 11:27]" (Cartas 9:2 [253 d.C.]).

"E não penses, querido irmão, que vai ser reduzida a coragem dos irmãos, ou que os martírios falharão por esta causa, que a penitência seja diminuída para os decaídos, e que a esperança de paz [ou seja, a absolvição] seja oferecida ao penitente... Para os adúlteros mesmo um tempo de arrependimento é concedido por nós, e a paz é dada." (idem., 51[55]:20).

"Mas eu me pergunto se alguns são tão obstinados para pensar que o arrependimento não seja concedido aos decaídos, ou supor que o perdão é para ser negado ao penitente, quando está escrito, 'Lembra-te por que motivo estás caído, e arrepende-te, e faz as primeiras obras' [Ap 2:5], que certamente é dito a ele que evidentemente caiu, e a quem o Senhor exorta a levantar-se novamente por seus atos [de penitência], porque está escrito: 'A esmola livra da morte.' [Tb 12:9]" (idem, 51[55]:22).

O sábio persa Afrahat

"Vós [sacerdotes], então, que sois discípulos do nosso ilustre médico [Cristo], não deveis negar um curativo àqueles que necessitam de cura. E se alguém descobre a ferida dele antes de vós, dai-lhe o remédio do arrependimento. E aquele que tem vergonha de tornar conhecido sua fraqueza, encorajai-o para que ele não o esconda de vós. E quando ele vos tiver revelado, não o torne público, para que, por causa disso, o inocente possa ser considerado como culpado por nossos inimigos e por aqueles que nos odeiam." (Tratados 7:3 [340 d.C.]).

Basílio, o Grande

"É necessário confessar nossos pecados àqueles a quem é confiada a entrega dos mistérios de Deus. Aqueles fazendo penitência de antigos são encontrados para tê-la feito antes dos santos. Está escrito no Evangelho que eles confessaram seus pecados a João Batista [Mt 3:6], mas em Atos [19:18] eles confessaram aos apóstolos." (Regras Brevemente Tratadas 288 [374 d.C.]).

João Crisóstomo

"Os sacerdotes receberam um poder que Deus não deu nem aos anjos, nem aos arcanjos. Foi dito a eles: 'Tudo o que ligardes sobre a terra será ligado no céu, e tudo o que desligardes sobre a terra será também desligado no céu'. De fato, os governantes temporais têm o poder de ligação; mas eles só podem ligar o corpo. Os sacerdotes, por outro lado, podem ligar com um vínculo que pertence à própria alma e transcende os próprios céus. [Deus] não lhes deu todos os poderes do céu? 'Àqueles a quem perdoardes os pecados,' diz, 'ser-lhes-ão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos.' Que poder há maior do que este? O Pai deu ao Filho todo julgamento. E agora eu vejo o Filho colocando todo esse poder nas mãos dos homens [Mt 10:40; Jo 20:21–23]. Eles são elevados a esta dignidade como se eles já fossem recolhidos ao céu." (O Sacerdócio 3:5 [387 d.C.]).

Ambrósio de Milão

"Para aqueles a quem foi dado [o direito de ligação e separação], é óbvio que ambos são permitidos, ou nenhum é permitido. Ambos são permitidos para a Igreja, nenhum é permitido para a heresia. Porque este direito foi concedido somente aos sacerdotes." (Penitência 1:1 [388 d.C.]).

Jerônimo

"Se a serpente, o diabo, morde alguém secretamente, ele infecta essa pessoa com o veneno do pecado. E se quem foi mordido se mantém em silêncio e não faz penitência, e não quer confessar sua ofensa... então seu irmão e seu mestre, que têm a palavra [de absolvição] que vai curá-lo, não pode ajudá-lo." (Comentário sobre Eclesiastes 10:11 [388 d.C.]).

Agostinho

"Quando tiveres sido batizado, mantém uma vida boa nos mandamentos de Deus para que possas preservar teu batismo até o fim. Não te digo que viverás aqui sem pecado, mas eles são pecados veniais os quais esta vida nunca está sem. O Batismo foi instituído para todos os pecados. Para os pecados leves, sem os quais nós não podemos viver, a oração foi instituída... Mas não cometas aqueles pecados por conta dos quais tu terias de ser separado do corpo de Cristo. Que pereça o pensamento! Porque aqueles a quem vês fazendo penitência cometeram crimes, também adultério ou algumas outras maldades. É por isso que eles estão fazendo penitência. Se os pecados deles fossem leves, a oração diária bastaria para apagá-los... Na Igreja, portanto, há três maneiras de os pecados serem perdoados: nos batismos, na oração e na humildade maior de penitência." (Sermão aos Catecúmenos sobre o Credo 7:15, 8:16 [395 d.C.]).

quinta-feira, 7 de julho de 2011

A Igreja Católica foi fundada por Constantino?

Não, a Igreja Católica não foi fundada por Constantino.
O imperador Constantino, também conhecido como Constantino Magno (O Grande) ou Constantino I, nasceu em 274 e faleceu em 337, foi imperador durante 31 anos: de 306 a 337. Era filho de Constâncio Cloro e Helena, uma cristã que se tornou Santa Helena. Casou-se com Faustina, filha de Maximiliano Hércules.

No início século quarto, o cristianismo já estava espalhado por quase todo o mundo, penetrando até na classe nobre e era muito perseguido pelos imperadores que tentavam a todo custo, com o poder das armas destruir o poder da fé, mas não conseguiam.
Após a morte do imperador Galério o poder ficou dividido entre Maxênico que se intitulou imperador; e Constantino, aclamado como imperador pelos soldados. Os dois ambicionavam pelo poder absoluto, tal luta se encerrou no dia 28 de outubro de 312, com a vitória de Constantino junto à Ponte Mílvia. Ocorre que Constantino viu no céu uma cruz com a inscrição "In hoc signo vinces" - "Com este sinal vencerás" - este foi um marco para sua conversão, que não se deu de uma hora para outra, foi batizado somente em 337, no fim de sua vida.

Em 313 deu liberdade de culto aos cristãos com o chamado Edito de Milão : "Havemos por bem anular por completo todas as retrições contidas em decretos anteriores, acerca dos cristãos - restrições odiosas e indignas de nossa clemência - e de dar total liberdade aos que quiserem praticar a religião cristã". Era Papa Melcíades, que se tornou São Melcíades, o 32º Papa, tendo Pedro como o 1º. Assim não há que se falar que Constantino é o fundador da Igreja de Cristo, ele apenas deu liberdade aos cristãos, acabando com dois séculos e meio de perseguição e martírio.

Então quem fundou a Igreja Católica?

Foi o próprio Senhor Jesus Cristo.

A palavra igreja deriva de outra palavra grega que significa assembléia convocada. Neste sentido a Igreja é a reunião de todos os que respondem ao chamado de Jesus:

"...ouvirão a minha voz, e haverá um só rebanho e um só pastor" (Jo 10,16).

Jesus Cristo tinha intenção de fundar uma Igreja, a prova bíblica de sua intenção, encontramos em (Mt 16,18): "Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja e as portas do inferno não prevalecerão contra ela".

Outras passagens são também importantes para constatarmos o propósito de Jesus em fundar a Igreja:

A escolha dos doze apóstolos:

- Depois subiu ao monte e chamou os que ele quis. E foram a Ele. Designou doze entre eles para ficar em sua companhia". (Mc 3,13-14).

- A escolha precisa de doze apóstolos tem um significado muito importante. O Senhor lança os fundamentos do novo povo de Deus. Doze eram as tribos de Israel, surgidas dos doze filhos de Jacá; doze foram os apóstolos para testemunhar a continuidade do Plano de Deus por meio da Igreja.

A Última Ceia

- "Tomou em seguida o pão e, depois de ter dado graças, partiu-o e deu-lho, dizendo: Isto é o meu corpo, que é dado por vós; fazei isto em memória de mim. Do mesmo modo tomou também o cálice, depois de cear, dizendo: Este é o cálice da nova aliança em meu sangue, que é derramado por vós..." (Lc 22,19-20).

- Assim como era costume para os judeus, Jesus também reuniu os seus apóstolos para celebrar a páscoa. Durante esta cerimônia foi celebrada a última ceia. Jesus se apresenta como o novo e verdadeiro cordeiro, dá aos seus seguidores o alimento do Seu corpo e sangue.

- As palavras "fazei isto em memória de mim" apresentam o distintivo do novo povo de Deus. Deste modo, a última ceia passou a ser o alicerce e o centro da vida da Igreja que estava nascendo. Afinal, por meio da ceia o Senhor se torna de um modo mais forte presente entre o seu povo.

- E, finalmente, segundo Santo Agostinho, a Igreja começou "onde o Espírito Santo desceu do céu e encheu 120 pessoas que se encontravam na sala do Cenáculo". O derramar do Espírito, em Pentecostes, foi como a inauguração oficial da Igreja para o mundo.

Estamos vivendo um momento do cristianismo onde muitas igrejas são criadas a cada momento :

Os luteranos foram fundados por Martinho Lutero em 1524.

Os anglicanos pelo rei Henrique VIII em 1534, porque o Papa não havia permitido seu divórcio para se casar com Ana Bolena.

Os presbiterianos por John Knox em 1560.

Os batistas por John Smith em 1609.

Os metodistas por John wesley em 1739 quando decidiu separar-se dos anglicanos.

Os adventistas do sétimo dia começaram com Guilherme Miller e Helen White no século passado.

A congregação cristã do Brasil fundada por Luigi Francescom em 1910.

As assembléias de Deus têm sua origem no despertar pentecostal de 1900 nos EUA. Muitas pessoas saíram de diferentes igrejas evangélicas para formar novas congregações pentecostais. Em 1914 mais de cem destas novas igrejas se juntaram para formar esta nova organização religiosa.

A igreja do evangelho quadrangular foi fundada na década de 20 pela missionária canadense Aimeé Semple McPathersom, que passou da igreja batista para a pentecostal.

A igreja Deus é amor foi fundada por David Miranda em 1962.

A renascer em Cristo surgiu a alguns anos, fundada po Estevan Hernandez.

A igreja universal do reino de Deus surgiu em 1977, fundada por Edir Macedo.

Isto além de outras denominações menores que foram surgindo a partir dessa, cada uma delas sendo fundadas por homens, com diferenças em suas doutrinas e cultos. A pergunta é simples: Como o Espírito Santo poderia animar tantas divisões, Ele que é fonte de unidade? Como identificar a Igreja de Cristo?

No credo do Primeiro Concílio de Constantinopla (ano 381), são apresentados os traços que permitem reconhecer os sinais da Igreja de Cristo:

"Creio na Igreja, una, santa, católica e apostólica"

UNA : A Igreja deve ser UMA do mesmo modo como existe "um só Senhor, uma só fé, um só batismo" (Ef 4,5). A intenção de Jesus Cristo foi fundar uma só Igreja.

SANTA : em virtude do seu fundador: Jesus Cristo. Foi ela que recebeu uma promessa fundamental:

"...as portas do inferno não prevalecerão contra ela" (Mt 16,18).

Deste modo, a razão da própria existência da Igreja está em ser um instrumento de santificação dos homens: "Santifico-me por eles para que também eles sejam santificados pela verdade" (Jo 17,19).

CATÓLICA : porque foi estabelecida para reunir os homens de todos os povos, para formar o único povo de Deus: "Ide, pois, ensinai a todas as nações; batizai-as em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo" (Mt 28,19).

APOSTÓLICA : porque está construída sobre o "fundamento dos Apóstolos..." (Ef 2,20). A garantia da legitimidade da Igreja está na continuidade da obra de Jesus por meio da sucessão apostólica. Tudo o que Jesus queria para a sua Igreja foi entregue aos cuidados dos apóstolos: a doutrina, os meios para santificação e a hierarquia. Quando surgiu a "expressão" Igreja católica?

A palavra católica em relação à Igreja foi usada pela primeira vez no segundo século da era cristã por Santo Inácio bispo de Antioquia, na carta dirigida aos esmirnenses: "Onde quer que se apresente o bispo, ali também esteja a comunidade, assim como a presença de Jesus nos assegura a presença da Igreja católica"(8,2).

Foi empregada para destacar o sentido universal da Igreja de Cristo. Aos poucos a palavra católica foi sendo usada para definir aqueles que estavam de fato seguindo a doutrina de Jesus. No final do século II, a igreja cristã já era conhecida como Igreja católica.


Qual é a única Igreja de Cristo?

Encontramos a resposta em uma afirmação do Concílio Vaticano II: "A única Igreja de Cristo(...) é aquela que nosso Salvador, depois da sua Ressurreição, entregou a Pedro para apascentar (Jo 21,17) e confiou a ele e aos demais apóstolos para propagá-la e regê-la (Mt 28,l8ss), levantando-a para sempre como coluna da verdade (1Tm 3,15)... Esta Igreja(...) subsiste na Igreja católica governada pelo sucessor de Pedro e pelos bispos em comunhão com ele" (LG 8).

Examinando os textos bíblicos já apresentados, somos levados a concluir que Jesus fundou somente uma Igreja.

A Pedro disse: "...sobre esta pedra edificarei a minha Igreja" (Mt 16,18); apresentou-se como o bom pastor dizendo: "...haverá um só rebanho e um só pastor" (Jo 1016); na sua oração sacerdotal orou ao Pai: "...para que sejam um, como nós somos um... para que sejam perfeitos na unidade..." (Jo 17,22.23).

Jesus só pode ser a cabeça de um corpo, do mesmo modo como somente pode desposar uma noiva, assim como Deus teve somente um povo entre os vários povos.

Entretanto, a Igreja católica reconhece que nestes quase 2000 anos de cristianismo os homens, por causa de seus pecados, arranharam a unidade do Corpo de Cristo. Essas divisões fizeram surgir novas denominações. Observa a Igreja que em muitas delas existem "elementos de santificação e de verdade" (LG 8).

sábado, 25 de junho de 2011

A Imaculada Conceição da Virgem Maria .

"Entrando, o anjo disse-lhe: Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo" (Lc 1,28)

A Imaculada Conceição da Virgem Maria é uma Verdade, que a Igreja discerniu com o tempo, assim como o fez ao ensinar que Cristo possui duas naturezas (a humana e a divina). Neste opúsculo, na medida que o Senhor nos permitir, procuraremos expor esta doutrina mostrando sua perfeita comunhão com as Sagradas Escrituras.

A Doutrina


O credo na Imaculada Conceição da Virgem Maria consiste em que Deus no momento da conceição da Virgem (união da alma com o corpo) impediu que sua alma (criada por Deus) fosse manchada pelo corpo, que possuía o germe corrompido do pecado original. Deus fez isso pelos méritos de Cristo, a fim de preparar o tabernáculo onde Cristo entraria e chegaria ao mundo.

O Testemunho de São Lucas

Uma das provas da imaculada conceição da Virgem Maria está na saudação do Anjo Gabriel. São Lucas, ao registrar que a Maria é ?cheia de graça? utilizada a palavra grega ?charitoo?, que é utilizada na Sagrada Escritura para designar a Graça no sentido pleno ou em toda sua plenitude.
Por esta razão, São Jerônimo, o maior especialista cristão nas línguas sagradas, no séc. IV ao traduzir as Escrituras para o latim (versão conhecida como Vulgata), traduziu a expressão grega como "gratia plena", que em português seria ?graça plena?.
Que plenitude da Graça era essa que Maria alcançou? Era a Graça original, a Graça perdida no tempo em a nossa natureza humana não estava sujeita ao pecado, mas caiu nele por livre escolha.
Deus ao preservar a Virgem da transmissão do pecado original, a transforma em uma Nova Eva, Mãe da Igreja e dos Cristãos.

A Necessidade da Imaculada Conceição

O pecado é a ofensa a Deus, ele O entristece, desta forma, a Segunda Pessoa da Trindade não poderia ser concebido em um ventre sujeito ao pecado. Ora, quando recebemos alguém em nossa casa procuramos deixar a casa em ordem, limpa, para que nossos convidados se sintam bem, se sintam acolhidos. Devemos entender a imaculada conceição da Virgem, como esta arrumação, providenciada pelo próprio Deus, pelos méritos de Cristo, para que Ele pudesse se encarnar.
Uma figura da Imaculada Conceição está no livro de Josué, onde lemos:
"Eis que a arca da aliança do Senhor de toda a terra vai atravessar diante de vós o Jordão. Tomai doze homens, um de cada tribo de Israel. Logo que os sacerdotes que levam a arca de Javé, o Senhor de toda a terra, tiverem tocado com a planta dos seus pés as águas do Jordão, estas serão cortadas, e as águas que vêm de cima pararão, amontoando-se. O povo dobrou suas tendas e dispôs-se a passar o Jordão, tendo diante de si os sacerdotes que marchavam na frente do povo levando a arca. No momento em que os portadores da arca chegaram ao rio e os sacerdotes mergulharam os seus pés na beira do rio - o Jordão estava transbordante e inundava suas margens durante todo o tempo da ceifa -,as águas que vinham de cima detiveram-se e amontoaram-se em uma grande extensão, até perto de Adom, localidade situada nas proximidades de Sartã; e as águas que desciam para o mar da planície, o mar Salgado, foram completamente separadas. O povo atravessou defronte de Jericó" (Js 3,11-16) (grifos meus).
Da mesma forma como nos tempos de Josué, o Senhor impediu que as águas do Jordão tocassem a Arca da Aliança, o Senhor também impediu que as torrentes do pecado original tocassem a alma da Virgem no momento de sua conceição, com o fim único de preparar o tabernáculo pelo qual Cristo viria.
Por isso o escritor sagrado deixou registrado: "Porém, já veio Cristo, Sumo Sacerdote dos bens vindouros. E através de um tabernáculo mais excelente e mais perfeito, não construído por mãos humanas (isto é, não deste mundo)" (Hb 9,11) (grifos meus).
Se a Virgem não foi preparada para ser a Mãe do Salvador, ela de forma alguma seria "um tabernáculo mais excelente e mais perfeito ".

Respondendo às objeções

1 - A Bíblia afirma que todos pecaram

Alguns apresentam como principal objeção à Imaculada Conceição, as seguintes palavras de São Paulo: "com efeito, todos pecaram e todos estão privados da glória de Deus" (Rm 3,23).
Essa é uma lei geral, mas sabemos que existem exceções a leis gerais. Por exemplo, também está escrito: "Como está determinado que os homens morram uma só vez, e logo em seguida vem o juízo" (Hb 9,27).
No entanto o morto que Elizeu ressuscitou, Lázaro, a filha do Centurião, e tantos outros exemplos de pessoas que foram ressuscitadas, morreram duas vezes.
Devemos nos lembrar que São Paulo escreveu em grego. Onde lemos "todos" ele utilizou a palavra  "pas" que também possui sentido mais geral. Esta palavra designa cada indivíduo de um gênero ou grupo se precedida do mesmo, caso contrário ela tem sentido coletivo de forma geral.
Por exemplo, em Mt 1,17 lemos: "Portanto, [todas] as gerações, desde Abraão até Davi, são quatorze. Desde Davi até o cativeiro de Babilônia, quatorze gerações. E, depois do cativeiro até Cristo, quatorze gerações" (Mt 1,17).
No português, a palavra "todas" (que coloquei entre colchetes) não aparece, mas ela está presente no original grego, onde o versículo começa da seguinte forma: "oun pas genea". A expressão "pas genea" significa "todas as gerações". Assim o escritor sagrado quer deixar bem claro que de Abraão até Davi, TODAS as gerações sem exceção foram quatorze.
"Sua fama espalhou-se por toda a Síria: traziam-lhe [todos] os doentes e os enfermos, os possessos, os lunáticos, os paralíticos. E ele curava a todos" (Mt 4,24).
Assim como no exemplo anterior, a palavra "todos" que não aparece no português, está presente no original grego. A expressão "todos os doentes" foi escrita em grego como "pas kakos echo". Aqui também o escritor sagrado quer deixar bem claro que Jesus curou TODOS os doentes que lhe trouxeram, sem exceção.
Já que demonstramos o uso de "pas" na totalidade, vamos demonstrar o uso de forma geral.
Por exemplo, ainda em Mateus lemos: "Sereis odiados de todos por causa de meu nome, mas aquele que perseverar até o fim será salvo" (Mt 10,22). Em grego o versículo começa da seguinte forma: "kai esomai miseo hupo pas dia mou onouma". A expressão  "hupo pas dia mou onouma" significa "por todos por causa do meu nome ".
Aqui o evangelista está se referindo a "todos" de forma geral, não a todos sem exceção, pois, nem todos os homens odiaram os cristãos por causa de Cristo.
O que queremos demonstrar é que "pas" como foi empregado por São Paulo, não tem o sentido de TODAS as pessoas sem exceção, mas significa as pessoas de forma geral. Além do mais, se quisermos dar a  "pas" um emprego que o Apóstolo não deu e que pela exegese bíblica ela não tem, cairíamos em heresia, pois deveríamos afirmar que Cristo também pecou, já que também era homem. Se "todos" são todos os homens, por conseqüência deveremos negaremos que Cristo é verdadeiro homem. Se Cristo foi exceção, por quê não poderá ter havido outras exceções? Estaria Deus limitado a operar tal milagre?
Lamento muito, mas Rm 3,23 não pode ser usado para negar a Imaculada Conceição da Virgem Maria.

2 - Maria não pode ser imaculada, pois afirma que Deus é seu Salvador

Outra tentativa para negar a Imaculada Conceição da Virgem, são as palavras dela mesma conforme o testemunho de São Lucas: "E Maria disse: Minha alma glorifica ao Senhor, meu espírito exulta de alegria em Deus, meu Salvador" (Lc 1,46-47).
Sinceramente, eu não vejo como a Graça de Deus operada na Virgem possa negar que este mesmo Deus seja seu o Salvador. Seria o mesmo que dizer que Deus não é o salvador de Elias, por tê-lo arrebatado em vida.
Um bombeiro que tira alguém soterrado em um buraco ou que impede que alguém caia e seja soterrado em um buraco, por acaso não foi o salvador de ambas as vidas?
Muitos cristãos crêem que Moisés não morreu de fato, devido ao mistério que a Escritura coloca sobre sua morte. Se Deus realmente ressuscitou Moisés, por acaso deixou Ele de ser seu Salvador?
São Paulo no ensina que "Se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa pregação, e também é vã a vossa fé" (1 Cor 15,14) e ainda "E se Cristo não ressuscitou, é inútil a vossa fé, e ainda estais em vossos pecados" (1 Cor 15,17).
Isso mostra que Jesus se tornou nosso Salvador após Sua morte e ressurreição. Então, como Deus poderia ter sido o Salvador da Virgem no momento da anunciação? A resposta é simples: da mesma forma como foi o Salvador de Elias e Moisés, isto é, através de uma operação extra-ordinária da Sua Graça. Desta forma, as palavras da Virgem Maria não negam o milagre nela operado, ao contrário, só o confirmam, pois ela declara que Deus é o seu Salvador, mesmo antes do mesmo ter nascido, morrido e ressuscitado.

3 - Jesus não necessitaria que Sua Mãe fosse imaculada, pois poderia operar na Sua própria conceição o milagre que os católicos crêem que foi operado na Virgem.

Primeiramente, com exceção dos Adventistas, todos os cristãos concordam que Jesus era imaculado. E isto está mesmo presente no ensinamento Paulino, onde lemos:
"Porque vós sabeis que não é por bens perecíveis, como a prata e o ouro, que tendes sido resgatados da vossa vã maneira de viver, recebida por tradição de vossos pais, mas pelo precioso sangue de Cristo, o Cordeiro imaculado e sem defeito algum, aquele que foi predestinado antes da criação do mundo e que nos últimos tempos foi manifestado por amor de vós" (1 Pd 18-20) (grifos meus).
Uma coisa é ter pecado em Adão e outra coisa é pecar pessoalmente. Pecar em Adão é nascer com a mancha do pecado original. Pecar pessoalmente é cometer algum pecado.
São Paulo quando afirma que Jesus era imaculado, testifica que Ele em sua natureza humana não possuía a mácula do pecado original, por isso chama o Senhor de "o Cordeiro imaculado". E para confirmar que Jesus não possuía o "defeito de fabricação" que a natureza humana herdou de Adão, complementando "e sem defeito algum". Então São Paulo nos ensina que Jesus é "o Cordeiro imaculado e sem defeito algum" do pecado de Adão.
É verdade que o mesmo milagre que nós católicos cremos que Jesus operou em Sua Mãe, ele poderia ter operado na sua própria conceição. Mas como já expomos, e queremos lembrar, o pecado é a ofensa a Ele, por isso ele JAMAIS poderia ser concebido num ventre sujeito ao pecado.
Também devemos lembrar que o "precioso sangue de Cristo" é o mesmo sangue de Maria. Os cromossomos do Senhor são 100% marianos.
Por isto, Salomão inspirado pelo Espírito Santo profetizou sobre a encarnação do Verbo: "A Sabedoria não entrará na alma perversa, nem habitará no corpo sujeito ao pecado" (Sb 1,4). E por esta mesma razão o autor de Hebreus, chama o ventre de Maria de "um tabernáculo mais excelente e mais perfeito, não construído por mãos humanas (isto é, não deste mundo)" (cf. Hb 9,11).

sábado, 18 de junho de 2011

O livre arbítrio

Uma das diferenças fundamentais entre as teologias católica e protestante é a crença no livre arbítrio que, em princípio, foi negada por Lutero e Calvino. Devido à doutrina da "Sola Fide" - que a fé, por si mesma, é suficiente para a salvação - os reformadores concluíram que o indivíduo não pode, de maneira nenhuma, colaborar em sua própria salvação. Isto nos leva a afirmar que toda eleição moral está pré-determinada. Ao contrário, os católicos crêem que o homem, por ser criado à imagem e semelhança de Deus, foi criado com a capacidade de aceitar ou rejeitar a graça de Deus. Como os anjos, podemos escolher entre fazer a vontade de Deus ou satisfazer as nossas próprias inclinações egoístas ou, dito em outras palavras, pecar. Logo, de nós depende. E este é o grande presente que brota do sacrifício redentor de Cristo: o participar livremente na construção do seu Reino. Sem Jesus, não teríamos a oportunidade de aceitar nosso lugar como filhos de Deus. Sem dúvida, o caminho que escolhemos é da maior importância na disposição divina da salvação porque ninguém pode tomar nosso lugar no plano de Deus, nem completar para Deus o trabalho que nos corresponde realizar.

"Os céus e a terra tomo hoje por testemunhas contra vós, de que te tenho proposto a vida e a morte, a bênção e a maldição; escolhe pois a vida, para que vivas, tu e a tua descendência, amando ao SENHOR teu Deus, dando ouvidos à sua voz, e achegando-te a ele; pois ele é a tua vida, e o prolongamento dos teus dias; para que fiques na terra que o SENHOR jurou a teus pais, a Abraão, a Isaque, e a Jacó, que lhes havia de dar" (Deuteronômio 30,19-20).

O homem não é apenas livre para escolher: está obrigado a escolher.

"Se bem fizeres, não é certo que serás aceito? E se não fizeres bem, o pecado jaz à porta, e sobre ti será o seu desejo, mas sobre ele deves dominar" (Gênese 4,7).
Deus diz a Caim que pode derrotar o pecado se assim desejar.

"Acho então esta lei em mim, que, quando quero fazer o bem, o mal está comigo" (Romanos 7,21).
São Paulo indica que o problema está em nossa vontade e não em nossos destinos.

"É por causa de Deus que ela me falta. Pois cabe a ti não fazer o que ele abomina. Não digas: Foi ele que me transviou, pois que Deus não necessita dos pecadores. O Senhor detesta todo o erro e toda a abominação; aqueles que o temem não amam essas coisas. No princípio Deus criou o homem, e o entregou ao seu próprio juízo; deu-lhe ainda os mandamentos e os preceitos. Se quiseres guardar os mandamentos, e praticar sempre fielmente o que é agradável (a Deus), eles te guardarão. Ele pôs diante de ti a água e o fogo: estende a mão para aquilo que desejares. A vida e a morte, o bem e o mal estão diante do homem; o que ele escolher, isso lhe será dado, porque é grande a sabedoria de Deus. Forte e poderoso, ele vê sem cessar todos os homens. Os olhos do Senhor estão sobre os que o temem, e ele conhece todo o comportamento dos homens. Ele não deu ordem a ninguém para fazer o mal, e a ninguém deu licença para pecar;" (Eclesiástico 15,11-21).
"Não veio sobre vós tentação, senão humana; mas fiel é Deus, que não vos deixará tentar acima do que podeis, antes com a tentação dará também o escape, para que a possais suportar" (1Coríntios 10,13).
"Ninguém, sendo tentado, diga: De Deus sou tentado; porque Deus não pode ser tentado pelo mal, e a ninguém tenta. Mas cada um é tentado, quando atraído e engodado pela sua própria concupiscência. Depois, havendo a concupiscência concebido, dá à luz o pecado; e o pecado, sendo consumado, gera a morte" (Tiago 1,13-15).
"Eu clamei e recusastes; e estendi a minha mão e não houve quem desse atenção, antes rejeitastes todo o meu conselho, e não quisestes a minha repreensão" (Provérbios 1,24-25).

Vemos aqui uma afirmação explícita do ensinamento do livre arbítrio na Igreja. Deus nos convida, porém, não nos obriga.

"O Senhor não retarda a sua promessa, ainda que alguns a têm por tardia; mas é longânimo para conosco, não querendo que alguns se percam, senão que todos venham a arrepender-se" (2Pedro 3,9).
O fato de que nem todos se arrependam - apesar de Deus desejar que isto o façam - prova concludentemente que somos capazes de decidir se queremos aceitar ou rejeitar a vontade de Deus. Isto é a essência do livre arbítrio.

"Todo o que o Pai me dá virá a mim; e o que vem a mim não o lançarei fora" (João 6,37).
Jesus promete aceitar aqueles que O aceitem e tem tentado alcançar toda pessoas criada desde o princípio.

"Vendo, pois, Faraó que havia descanso, endureceu o seu coração, e não os ouviu, como o SENHOR tinha dito" (Êxodo 8,15).
Deus não forçou a vontade do Faraó para obrigá-lo a fazer o mal; Deus simplesmente previu as ações do Faraó antes que ocorressem.

"Desejaria eu, de qualquer maneira, a morte do ímpio? diz o Senhor DEUS; Não desejo antes que se converta dos seus caminhos, e viva?" (Ezequiel 18,23).
A eleição de fazer o bem ou o mal não é totalmente nossa. Deus deseja que façamos o bem, porém, não nos obriga a fazê-lo.

"Pois, se nós, que procuramos ser justificados em Cristo, nós mesmos também somos achados pecadores, é porventura Cristo ministro do pecado? De maneira nenhuma" (Gálatas 2,17).
O pecado é obra nossa e não de Deus. São Paulo vai diretamente ao ponto. Nós somos os pecadores, não Deus!

"Porque não sois um Deus que ama a iniqüidade" (Salmo 5,5).
Deus não pode ter má vontade ou planejar o mal. No entanto, a doutrina errônea da predestinação requer que acreditemos que Ele o faz. Aqueles que crêem na predestinação devem crer também que Deus é autor tanto do bem quanto do mal. Isto é o resultado de uma teologia totalmente monstruosa.

"Palavra fiel é esta: que, se morrermos com ele, também com ele viveremos; Se sofrermos, também com ele reinaremos; se o negarmos, também ele nos negará; Se formos infiéis, ele permanece fiel; não pode negar-se a si mesmo" (2Timóteo 2,11-13).
São Paulo nos explica que nossa salvação depende do caminho que escolhemos seguir, aproximando-nos ou afastando-nos de Deus.

"Porque as suas coisas invisíveis, desde a criação do mundo, tanto o seu eterno poder, como a sua divindade, se entendem, e claramente se vêem pelas coisas que estão criadas, para que eles fiquem inescusáveis; Porquanto, tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças, antes em seus discursos se desvaneceram, e o seu coração insensato se obscureceu" (Romanos 1,20-21).
A glória de Deus é evidente a todos; porém, nem todos decidem reconhecê-la.

"Sabendo, pois, Davi, que Saul maquinava este mal contra ele, disse a Abiatar, sacerdote: Traze aqui o éfode. E disse Davi: Ó SENHOR, Deus de Israel, teu servo tem ouvido que Saul procura vir a Queila, para destruir a cidade por causa de mim. Entregar-me-ão os cidadãos de Queila na sua mão? Descerá Saul, como o teu servo tem ouvido? Ah! SENHOR Deus de Israel! Faze-o saber ao teu servo. E disse o SENHOR: Descerá. Disse mais Davi: Entregar-me-ão os cidadãos de Queila, a mim e aos meus homens, nas mãos de Saul? E disse o SENHOR: Entregarão. Então Davi se levantou com os seus homens, uns seiscentos, e saíram de Queila, e foram-se aonde puderam; e sendo anunciado a Saul, que Davi escapara de Queila, cessou de sair contra ele" (1Samuel 23,9-13).
Davi, envolvido em uma disputa com Saul, pergunta a Deus sobre certos acontecimentos que ainda não tinham ocorrido. Pergunta a Deus se Saul virá a Queila para matá-lo. Deus responde afirmativamente. Conseqüentemente, Davi pergunta a Deus se os habitantes da cidade o trairão e Deus novamente responde que sim. Sabemos que Deus sabe tudo e que é incapaz de enganar alguém. Com efeito, Deus está avisando Davi o que vê no futuro: as intenções de Saul e do povo da cidade, de matar Davi. Isto não é uma simples previsão, mas o aviso de uma realidade que sem dúvida irá ocorrer se as circunstâncias forem mantidas. Esta visão do futuro provém da mente de Deus, que não só pode ver como se sucederão os acontecimentos como também cada versão de futuro que possa ocorrer. Entretanto, a previsão divina que era certa quando foi pronunciada, nunca chegou a ocorrer. Por quê? Porque Davi recebeu a informação e decidiu seguir "um roteiro" diferente. Ao invés de permanecer em Queila, Davi se retirou dali com seus homens e, com isto, alterou o futuro. Saul não visitou a cidade e Davi não foi traído por seus habitantes. Vemos que as ações de Davi, ao exercer o seu livre arbítrio, conseguiram alterar a ordem futura dos eventos. A premonição de Deus não limitou a liberdade de Davi; ao contrário, as ações de Davi, concebidas e guiadas por seu livre arbítrio, determinaram o futuro imediato. Assim é o dom que Deus nos deu: participar no desenvolvimento da criação. Os primeiros Padres da Igreja desmantelaram o erro da predestinação sem maiores dificuldades. Eusébio Pânfilo escreveu em 315 d.C.: "O conhecimento prévio dos eventos não é a causa de que tenham ocorrido. As coisas não ocorrem [somente] porque Deus sabe. Quando as coisas estão para ocorrer, Deus o sabe"[1]. Santo Agostinho, com sua forma tão coerente, nos diz em 390 d.C.: "Assim como você, pelo exercício da memória, não obriga a ocorrência dos eventos passados, tampouco Deus, por sua presciência, obriga a ocorrência dos eventos futuros"[2]. -----

Notas: [1] "The Faith of the Early Fathers", Volume I. William A. Jurgens. Liturgical Press, Collegeville Minnesota, 1970, p. 296. [2] Ibídem, Volume III. P. 39. Fonte: http://www.prodigos.org. Tradução de Carlos Martins Nabeto